São João del-Rei não está preparada para o RG animal
Cidade permanece vulnerável ao abandono e à falta de proteção animal sem o documento
A ausência do sistema Registro Geral do Animal (RGA) em São João del-Rei gera preocupações para a população protetora de animais. Cidades como São Paulo já implementaram a identificação obrigatória para para cães e gatos com mais de três meses de idade
No dia 17 de abril, o Governo Federal anunciou a criação do Cadastro Nacional de Animais Domésticos, também conhecido como SinPatinhas, ao qual o RGA está vinculado. A proposta prevê o registro oficial de cães e gatos em todo o país, com informações como nome, raça, idade, vacinação e dados do tutor. Mesmo após o lançamento do sistema, São João del-Rei segue sem previsão de adesão.
Registro Geral do Animal implantado Reprodução:Secom
O RG é um cadastro oficial que identifica cães e gatos por meio de um microchip eletrônico, do tamanho de um grão de arroz, implantado sob a pele do animal. Esse dispositivo contém um número único, que pode ser lido por scanner ou aplicativo. O sistema SinPatinhas aceita microchips de qualquer fabricante, sem restrição de marca. A escolha do modelo ideal deve ser feita pelo tutor em conjunto com um médico veterinário.Já o cadastro de animais em situação de rua deve ser feito pela prefeitura, mas essa etapa ainda não foi implementada na cidade.
A implantação depende de ações da prefeitura, que precisa estruturar e financiar o programa para abranger especialmente os animais em situação de rua. Segundo Felipe Augusto Alves, responsável pela zoonose, “parece ser algo que funciona em cidades grandes e, para São João del-Rei, aparentemente vai demorar bastante para chegar.”
Estimativas da Secretaria de Saúde de São João del-Rei indicam a existência de cerca de mais de 4 mil cães e gatos em situação de rua. Esses dados demonstram que o número é elevado. No entanto, essas informações só são atualizados a cada
década.
Abandono de cães cresce em São João del-Rei Reprodução:g1.globo.com
Em São João del-Rei, se observa o impacto que a superlotação de animais abandonados gera na saúde pública e no meio ambiente. “Isso pode vir da virada de lixo, entupindo as bocas de bueiros, ou até mesmo a falta de controle para saber se um cão que mordeu uma pessoa possui as vacinas em dia ou não”, explica Naime zanitti , veterinária da Clínica Particular VetClin.
O RGA acaba sendo uma discussão levada até para a questão da comunidade. “A implementação deste meio seria algo muito importante para problemas de abandono, também para identificar e punir pessoas que maltratam animais", diz Daiane Monique, dona de 9 gatos que se mantém nessa visão de adoção há dez anos.
Diante da realidade dos animais abandonados na cidade, a veterinária Naime afirma que "a adoção responsável e o cuidado contínuo não são apenas atos de compaixão, mas também deveres sociais". Segundo a profissional é fundamental que a comunidade e o poder público reconheçam que o bem-estar animal faz parte de uma sociedade mais consciente.
Para saber como emitir o Registro Geral do Animal, o Governo Federal disponibilizou um guia com o passo a passo e uma arte explicativa. Acesse: https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/04/rg-para-caes-e-gatos-tire-duvidas-sobre-a-nova-acao-do-governo-federal
Repórteres: Danielle Souza Dias Medeiros, Julio Cesar da Silva, Larissa Dias Da Rocha.