
Foto da igreja São Francisco de Assis, construída com base nos modelos romanos e feita baseada em dinamismos.
Foto tirada por: Larissa Lacerda
São João del-Rei, cidade histórica, muitas vezes não é vitrine de como tratar pessoas com deficiência, principalmente com limitações motoras. A falta de acessibilidade presente nas ruas, transportes e monumentos históricos é vivida por uma parte da população: as pessoas com deficiência motora, que representam cerca de 180 em 800 pessoas com deficiência da cidade.
A reportagem conversou com o estudante da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Rafael Alonso Amaral de Deus, 21 anos, e sua cuidadora e mãe Janaina Tatiana do Amaral, sobre os problemas para a locomoção no município. Rafa é uma pessoa com paralisia cerebral. Por conta disso, enfrenta dificuldades motoras, necessitando de uma cadeira de rodas. Para conseguirmos essa entrevista, entramos em contato por WhatsApp, marcamos um encontro e escutamos sobre o cotidiano marcado pelas dificuldades vivenciadas diariamente.
Entrevista feita por: Thais de Abreu com Rafael Alonso Amaral e Janaina Tatiana do Amaral
T: Qual a maior dificuldade que você enfrenta na cidade de São João del Rei?
J: Os passeios, ruas, os ônibus, lojas que não tem entradas adaptadas. Falta de rampas, passeios desnivelados, com buracos.As calçadas das ruas de São João e a falta de revitalização.
Foto tirada por Larissa Lacerda
T: E na hora de fazer algumas visitas históricas?
J: Os museus, alguns ainda não estão adaptados, algumas escolas. São João, acho que, no geral, ainda falta muito para acessibilidade.
T: Qual a sua opinião sobre acessibilidade nos transportes públicos?
J: Péssima. Semana retrasada aconteceu do motorista ver a gente e sair com o ônibus. O pessoal que estava perto gritou e, mesmo assim, ele saiu correndo. Elevador sempre quebrado, muitos motoristas que não sabem usar direito e a gente que precisa ensinar. Nos micro-ônibus que eles colocam em alguns trajetos, fica muito mais complicado de ir. A acessibilidade física ainda deixa muito a desejar.
T: Em todo trajeto tem que ter uma pessoa acompanhando ele [Rafael]?
J: É, ele [Rafael] tem uma cadeira motorizada em casa mas está estragada, tem que entrar em contato com a prefeitura para ver se consegue a troca. Mesmo assim, ele depende de alguém por conta da deficiência dele.
T: Quais seriam as alternativas para melhorar essa acessibilidade?
J: Podia ter mais fiscalização em questão da manutenção dos elevadores. Os horários de ônibus também são difíceis; fim de semana são mais de duas horas de espera. Também, o ônibus do CTAN que tem ido muito cheio no horário das 18 horas; eu acredito que eles tinham que ter posto mais um no horário de entrada e saída, mas já deu uma melhorada.
T: Você acha que, financeiramente, para a prefeitura valeria a pena investir na acessibilidade?
J: Sim, hoje em dia as pessoas com deficiência, não só motora, mas também outras deficiências, saem de casa. Diferente de antigamente, eles vivem vivem vidas normais, trabalham, estudam. Então, se torna uma questão de inclusão mesmo. Acho que, para a prefeitura, é necessário porque hoje em dia a maioria deles participa da vida ativa, não ficam mais presos em casa.
T: Como vocês se sentem em relação a essa acessibilidade promovida pela prefeitura? Ela tenta incluir todos? Chegar perto e escutar as reclamações de vocês?
J: Não. Os horários de ônibus precisam ser passado pela Secretaria de Transporte, o que é mais complicado e dizem que financeiramente, para a empresa, é mais difícil. Para a questão da acessibilidade, tudo é muito burocrático, precisa conversar com o vereador, ele diz que precisa levar para a Câmara, mas, no fim, não resolve nada. Tem que ser briga. Para a pessoa com deficiência, tudo precisa ser na base da briga.
T: Vocês sentem que falta representatividade dentro da prefeitura ou de qualquer órgão político da cidade?
J: Sim, principalmente, para o pessoal cadeirante. Aqui em São João tem o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mas quase não vejo,

