Impacto das tarifas estadunidenses na economia local de São João del-Rei
As tarifas impostas no início do mês de abril pelo presidente americano Donald Trump, viraram assunto global, alertando os governos e líderes de diversas potências ao redor do globo e colocando o cenário econômico estadunidense em uma baixa histórica. O que, porém, não é normalmente discutido são os impactos dessas ações em países subdesenvolvidos, que são indiretamente afetados. Apesar das tarifas impostas ao Brasil não ganharem tanto destaque, os produtos chineses foram taxados em 245% pelos EUA, ocasionando no aumento dos preços dessas mercadorias em outros países, como no Brasil, com o aumento de 15% nos aparelhos eletrônicos chineses vendidos no país.
A reportagem foi ao centro de São João del Rei e conversou com a comerciante Yoney Su para verificar como a guerra comercial entre EUA (Estados Unidos) e China afeta o valor final de produtos de origem chinesa. A Mercante, estabelecida em sua loja há 7 anos, relatou as dificuldades dos comerciantes locais ao tentar acompanhar o volume de vendas e o ajuste de preços dos produtos após as tarifas e a chegada de novos estoques. As tarifas têm afetado a economia da cidade, pois, com o aumento dos custos de importação, empresas locais podem enfrentar preços mais altos para insumos, além de impulsionar a inflação local por conta da incerteza tarifária. Assim, os preços dos produtos aumentam para os consumidores, sem um acompanhamento do aumento salarial, fazendo com que o poder de compra da população caia e desvalorize o dinheiro dos moradores da região.
Placa da loja Show bijuterias foto: Tomaz Jaeger Pereira Interior da Show bijuterias foto: Tomaz Jaeger Pereira
AC: Como você descreveria a demanda desses produtos? É alta? É baixa?
YS: Ah, eu não sei. Então, de repente, às vezes, no final do mês é mais tranquilo, mas sempre, assim, no início do mês, aí pagamento de pessoal, né, é pouco mais muito mesmo. E aqui, porque tem muita amizade, sempre tem mais gente, mas, às vezes, vem muita gente, mas tem gente que vem olhar e tem gente que vem comprar. Vem família, sabe? Parece muito, mas de repente, mas não tem como reclamar, não. Aqui sempre tem gente, graças a Deus.
AC: Você percebeu algum aumento no preço dos produtos?
YS: É, sim. Aumentou, sim. Quando compramos produtos da moda,sempre tem alta. Quando o mercado tem bastante, aí é o preço mais fácil de encontrar. Quando [o produto é] difícil de achar, aumentou muito. É assim. Mas agora já tá aumentando muita coisa, sim.
AC: Mas,o quanto está aumentando? Porque ainda tá começando, né?
YS: Ainda tem muita coisa: a gente ainda não fez reposição ainda não dá pra perceber muito. A gente tá vendendo o que tem aqui, então ainda mantém o preço antigo. Mas quando acabar, a gente, quando faz compra, se aumentou, então a gente tem que aumentar pouco. Mas a gente não vai exagerar também, não. Só pouco para não dar tanta reclamação, sabe? A gente tem que ir devagar.
AC: Você tem percebido algum aumento do preço, não aqui da loja, mas dos comércios da região? Se o preço subiu em todos os lugares, e não só aqui?
YS: Caneta. Aqui eu não sei, mas a caneta que agora tá na moda. Não sei se vocês perceberam. Aquele caneta touch. Aquele caneta duplo ponta, que tá de moda, pra colar ali a caderno. Aqui na loja vendeu bastante e esgotou.
AC: E os preços aumentaram quanto com esse aumento?
YS: Ah, antigamente eu vendia por R$39. A próxima vez tenho que vender por R$50. Assim. A caneta, aquela caneta pré-colorida. Por enquanto, eu percebi.
AC: E vocês tiveram que fazer alguma mudança pra se encaixar nesses novos preços?
YS: Porque esse preço que eu comprei antes. Então, vai manter por enquanto. Mas, se acabar, eu que tenho que comprar reposição, aí tem que ir preço novo. Por enquanto, é manter assim mesmo.
AC: E pra finalizar aqui, na sua opinião, qual é o impacto que o aumento desses preços que você falou tem nas vendas? Isso lhe prejudica? É ruim para as vendas?
YS: Ah, claro. Lógico. Não é sempre[...] Um produto agora vende por R$10 e aumentou por R$15, por R$20. O cliente vai [ e fala:] Ah, nossa. Iniciou pagando R$10 e agora tem que pagar R$20. Aí, é ruim. Vem menos pessoas querendo comprar. É, claro. Vende menos. Sempre interferem essas coisas.
AC: Você já está vendo que está afetando os lucros ou ainda não afetou?
YS: Ainda está começando. Ainda não está muito. Porque mesmo se está caro, eu não vou aumentar na hora, sabe? Eu não vou fazer isso, não. Porque nossa clientela é fixa, sabe? A maioria dos clientes é fixo. Se eu fizer isso, vou perder cliente também. Pouco, sabe? Não vou exagerar, não.
Por Artur Coan e Tomaz