Há quase um século, a imprensa americana, referência de muitas, inclusive brasileira, aponta a objetividade como um dos principais pilares da matéria jornalística. No entanto, há um grande debate acerca deste assunto:, afinal, em até que grau conseguimos ser objetivos, isto é, descrever as coisas como elas realmente são? É possível negar a subjetividade, uma vez que somos influenciados por uma teia ideológica e pensamentos externos?
Ao análisar tais fatores, podemos apontar que é infactível negar a nossa própria identidade sociopolítica, pois reagimos de acordo a nossa raça, sexo, idade, classe social, preferência política e crença religiosa, carregando, assim, uma posição identitária em tudo o que produzimos.
A busca da objetividade na matéria jornalística, além de ser uma ilusão, é um caminho limitado, no qual gera uma “verdade absoluta” sobre os fatos e os padroniza como uma realidade, impondo-os como verdades únicas - “informar, desinformando” - sem pesquisar diferentes nuances. Além disso, a objetividade no campo da comunicação, carrega um passado mercadológico de apagamento do contexto propriamente dito, a fim de se abster do fato e ir em busca de uma neutralidade inalcançável em seu posicionamento, desconsiderando, contudo, os interesses por trás da opinião.
Nesse sentido, a subjetividade acompanha o posicionamento sobre um tema, conceito ou fator. É inevitável desconsiderar o “eu", uma vez que a realidade é discursiva e construída por cada indivíduo. Nietzsche, por exemplo, evidencia isso em seu pensamento: “A libertação das malhas do “eu” e o emudecimento de toda a apetência e vontade individuais, sim, uma vez que sem objetividade, sem pura contemplação desinteressada, jamais podemos crer na mais ligeira produção verdadeiramente artística”. Com isso, o filósofo descreve que a objetividade é interrompida por fatores externos ao fato concreto. O jornalista, enquanto agente pensante, tenta “mascarar” sua linha de pensamento, ao vender o produto, notícia, como um produto “neutro”, em prol de fatores comerciais, todavia, acaba carregando seus valores e princípios, assumindo posicionamentos.
