A discussão entre objetividade e subjetividade acompanha o estudo acadêmico do jornalismo desde seu primórdio, dividindo lados e gerando bons argumentos para defender os dois lados. Abordando essa discussão, acredita-se que não se deve colocar uma empresa jornalística como imparcial, pois ela se contradiz com os fatos históricos levantados a partir de sua própria trajetória. Se é uma empresa, logo possui contas a pagar e interesses a defender, dentro da perspectiva de um sistema capitalista. Dessa forma é incabível a afirmação de que essa empresa e seus colaboradores não tomariam uma posição política, mesmo que muito bem maquiada e vendida como isenta de opinião. Se o jornalismo é um setor de um mercado global, a subjetividade é observada ao longo de todo fazer jornalístico. A objetividade é atribuída como uma função, servindo de ferramenta para governos, poderosos e os detentores dos meios de produção defenderem seus interesses e ideais.
Aquele fato que é apresentado no jornal das 20:00 na casa de João, é noticiado de outra forma completamente diferente por outro jornal que aborda o mesmo fato no mesmo horário na casa de Maria. A diferença das notícias não são meramente por estética, textos diferentes ou na escolha das palavras pela equipe que redige o texto. De acordo com Ivy Lee, “Todos nós somos levados a pensar que o que serve aos nossos interesses é também do interesse geral. Somos levados a ver tudo com lentes coloridas por nossos interesses e preconceitos”. Conforme a nossa forma de ver o mundo, tudo que vivemos, sentimos, nossos recortes sociais, moldam nossa ótica e como narramos o que estamos vendo. Uma empresa sendo plural e múltipla em tantas dimensões, não poderia fugir dessa lógica.
Por exemplo, quando colocamos para análise as manchetes da Intercept Brasil e da BandNews sobre o ato contra a democracia do 8 de janeiro, entende-se que o ato é narrado de maneira propositalmente diferente, no sentido da despolitização de seus leitores por parte da BandNews, enquanto a mesma defendia seus interesses de maneira implícita nas manchetes apresentadas.
Kovach e Rosenstiel afirmam que, “no conceito original, o método é objetivo, não o jornalismo”, diante de tal afirmação, podemos apresentar como solução uma cartilha guia aos jornais operantes, baseadas na defesa da acessibilidade, comunicação e dignidade humana. O jornalismo no papel de ferramenta da sociedade, na defesa de um bem comum, como aquele que não só narra, mas também ensina. Aplicar humanidade e contexto nas notícias, enquanto pratica o fazer jornalístico humanizado, com métodos objetivos, mas abrangendo a complexidade do ser humano na prática de suas funções.
Por Paulo Mambelli e Luis Philipe Rezende.
