No mundo do jornalismo, a discussão sobre a objetividade plena no ato de relatar a notícia perpetua desde sua criação até a contemporaneidade. As diversas maneiras como uma notícia pode ser apresentada, detalhada e publicada advêm de um processo de pesquisa específico, que pode ou não conter requisitos necessários para uma justa reportagem. Decorrente disso, a objetividade jornalística, utilizada como meio de direcionamento e prevalecimento dos fatos nas notícias, acaba por esbarrar tanto nas ideologias pessoais, como na generalização de fontes de opinião pública.
Devido ao sistema industrial empresarial da área, atrelada à construção idealizada historicamente na profissão , há uma pressão pela existência de um jornalismo “isento”, sem grande aprofundamento contextual, resultando na falta de pensamento crítico por parte do leitor. O ato de omitir determinadas acusações e relatos na ocorrência de crimes, por exemplo, revela como o ser humano é seletivo naturalmente quando noticia um fato. Tais práticas demonstram como, mesmo obtendo fatos e informações diversas, a verdade objetiva mostra-se inalcançável perante as subjetividades e ideologias pessoais.
Por andar de mãos dadas com a ciência a partir do crescimento do iluminismo, a verdade factual costumou se sobressair no jornalismo, muito pela influência norte-americana na forma de abordagem e estratégias na forma de conduzir as notícias desde a criação da imprensa no país. Entretanto, momentos de intensa polarização e caos geopolítico no século XX deixaram visíveis a necessidade de análises críticas. O americano Harry S. Ashmore destacou, na época, que “continua a não ser cumprida a responsabilidade do jornalismo de acrescentar o por que ao o que”, mostrando a crise do modelo previamente aceito.
Portanto, apesar da objetividade ser um método de obtenção de informação confiável, a sua plena execução, alheia de viés e opiniões, se torna mera ilusão perante a complexidade do ser humano. Por isso, cabe aos leitores uma visão interpretativa em relação às diferentes formas como uma notícia é apresentada no cotidiano.
Por Daniel Ribeiro e Maria Luiza Pereira.
