Rosa conta seus entraves diários na utilização do transporte público. Foto: Lídia Oliveira
Sinalização de ponto de ônibus no bairro Matosinhos. Foto: Isabella Emily Cunha
Isabella Cunha: Você faz uso diário do transporte público?
Rosa Dias: Sim.
IC: Quantas pessoas na sua família fazem uso do transporte público coletivo?
RD: Atualmente, só eu. Porque meus filhos não moram mais aqui, né!? Quando eles moravam aqui, eles também utilizavam.
Lídia Oliveira: Eles utilizavam para ir para a escola, cotidiano, para tudo?
RD: Para tudo.
IC: Com que frequência e com quais finalidades você usa o transporte público?
RD: Eu uso para ir trabalhar, para ir no centro pagar conta etc. Normalmente.
IC: Como você avalia o transporte público de São João em relação a horários, conforto, segurança e disponibilidade de ônibus?
RD: Os horários não são bons. Onde eu moro não tem ônibus suficiente; horário de pico é superlotado, é um micro-ônibus. Sábados, domingos e feriados não tem transporte coletivo. E não é bom porque só tem cinco horários em um dia. Então, assim, é extremamente espaçado. À noite, a gente não pode sair de casa porque não tem transporte, nem para ir, nem para voltar. Porque depois de seis horas não existe mais ônibus.
Dirceu Vieira: E qual é exatamente a região de São João del-Rei que você mora?
RD Eu moro no alto do Bom Pastor, entre o Lombão, o Pio XII e o Bom Pastor.
IC: Entendi. E essa situação dos ônibus já te prejudicou em alguma fase, alguma vez?
RD: Todos os dias. Porque eu tenho que sair de casa já cronometrando meu tempo para conseguir pegar outro ônibus para ir embora para casa. Então, prejudica muito.
IC: Você já viveu ou presenciou alguma situação desconfortável ou algum problema no ônibus?
RD: Eu já presenciei desconforto de superlotação, não ter como entrar e sair do ônibus, ou não ter lugar para sentar. Às vezes, um idoso entra - que é mais idoso que eu - e ninguém dá a preferência. Como é micro-ônibus, a situação ainda é pior, porque não cabem as pessoas. E tem o agravante de uma pessoa deficiente.
Rosa em um dos pontos de ônibus no bairro Matosinhos. Foto: Dirceu Vieira
IC: Como você avalia as tarifas cobradas?
RD: Cara, porque o espaço de um lugar ao outro é pequeno pelo preço que eles cobram.
IC: E como você analisa a acessibilidade em relação a diversidade de pessoas que dependem e usam o transporte público em São João del-Rei, você acha que são acessíveis os ônibus para deficientes, mulheres, pessoas acima do peso?Tem um bom conforto no ônibus?
RD: Não, não acho que é acessível, não[…]. Mas existem ônibus que têm acesso a cadeirantes, mas tem muitos ônibus que não têm esse acesso. Às vezes, as pessoas de dentro do ônibus têm que sair para poder ajudar cadeirante ou quem usa muleta, que não têm condições de subir os degraus. Muitas vezes, a gente tem que descer do ônibus pra ajudar, então não acho nada bom[…]. Cansei de ver o desconforto de uma pessoa obesa entrar no ônibus, porque é difícil para entrar. Às vezes, o ônibus está cheio, e ela não consegue passar. Mulher, por exemplo, se ela estiver em pé, é muito constrangedor. É desconfortável!
IC: E, para fechar, quais melhorias você acha que podem ser realizadas nesse setor da cidade… O que você acha que pode melhorar?”
RD: A quantidade de ônibus e a qualidade, porque os ônibus, além de serem poucos, eles quebram[…]. Muitas vezes, deixam a gente na mão: ‘você’ tá no horário de trabalhar, e aí o ônibus quebra e ‘você’ perde o horário do serviço[…]. Então, a quantidade e a qualidade.
DV: Você tem mais alguma consideração que gostaria de falar sobre esse assunto?
RD: A questão de motoristas[…]. Há motoristas muito educados, mas há aqueles que não são educados, que fazem grosserias, não dão tempo da pessoa descer ou subir do ônibus direito. Isso já aconteceu comigo: ele deu um solavanco que meu braço saiu do lugar, eu fiquei gritando dentro do ônibus. Não foi exatamente a culpa do motorista, mas há motoristas que são mais ‘grossos’, entendeu? E tem uns que são educados, muito legais[…]. Tem bons e ruins.
LO: Você acha que os motoristas e os cobradores são preparados para lidar, por exemplo, com uma pessoa com deficiência, para auxiliar na subida do ônibus, na descida? Você percebe esse preparo dos funcionários?
RD: Ah, bom, não[…]. Nesse ponto, as vezes que eu vi, eles foram solícitos, foram carinhosos. Agora, um constrangimento nessa parte, eu nunca presenciei. Pode até haver, mas eu nunca presenciei.
LO: E tem algum relato de pessoas que pegam o ônibus com a senhora, que têm reclamações parecidas com as suas?
RD: Ah, sim, quase todo mundo reclama das mesmas coisas, e, inclusive, os pontos de ônibus não têm um lugar direito de assentar, não têm uma cobertura suficiente para tampar pelo menos do sol e da chuva[…]. ‘Tá’ bem precário, ‘tá’ precisando de dar uma repaginada em tudo.
IC: Você acha que os pontos de ônibus estão bem localizados ou você acha que precisa fazer alguma mudança?”
RD: Na localização, no meu ponto de vista, não, pelo menos pra mim, não. Eu tenho a reclamar que não tem segurança, em caso de chuva, sol[…]. A gente tem que ficar esperando mais de horas pra pegar o ônibus. Então, por exemplo, no São Francisco ‘você’ pega chuva, pega sol, e ainda fica em pé[…]. Tem várias coisas que precisam ser mudadas.
Repórteres: Isabella Emily Cunha; Lídia Oliveira; Dirceu Vieira