Objetividade prática no ato de informar




   Sistematicamente, o jornalismo se entrega ao mercado e gera notícias que em nada se somam ao público. Prova disso são as manchetes tendenciosas sobre a tentativa de anistia da direita brasileira. A forma com que as fotos e textos são colocados dão a entender que esse movimento é algo maior do que realmente é. Esse ato busca desinformar informando, dando a falsa sensação de que as pessoas estão atualizadas sobre o mundo enquanto as verdadeiras notícias importantes são omitidas, seja por conveniência ou viés político.

   Por outro lado, mesmo que a pressa em noticiar prejudique o jornalismo, é necessário que o jornalista seja rápido no seu processo de informar. O ato de apurar, pesquisar e escrever não pode fugir dessa objetividade vendida, que teoricamente deveria anular a opinião e se tornar algo neutro, sabendo que essa neutralidade não é possível alcançar, assim como o produto desse sistema.

Segundo Luiz Costa P. Júnior, no livro “A Apuração da Notícia”, durante a primeira metade do século passado, a falta de compromisso com os fatos era associada a panfletarismo e manipulação política, corporativa e empresarial, onde havia um empenho para que os fatos fossem moldados a fim de atender os interesses de poucos. Essa parcialidade era vista como algo impreciso, pouco objetivo, que buscava apenas atender a quem melhor pagasse.

A rapidez do processo e a objetividades do produto se diferenciam. Enquanto uma busca agilidade, a outra deve buscar informar os fatos por todos os ângulos, evitando injustiças ou espaços para invenções, como abordado pelo autor Luiz Costa: “Um trabalho jornalístico é objetivo quando garante equilíbrio entre o pró, o contra, os ângulos da notícia, quando faz apresentação das partes ou das possibilidades em conflito”

Uma notícia objetiva e um jornalista prático devem trabalhar juntos. Quando uma informação não é noticiada de forma correta, ela passa a oferecer risco a quem lê, podendo influenciar conclusões carregadas de opinião. Por outro lado, quando o jornalista deixa esses valores fora do processo, o mesmo não ouve todos os lados, não apura como deve, e a notícia fica vazia.

Deve-se, então, primar por uma simplicidade no trabalho do jornalista de gerar a informação e pela idoneidade da notícia em informar sem o peso de nenhuma ideologia. Para combater esse produto jornalístico que age em prol de interesses próprios, indo contra a missão básica do jornalismo que é informar com clareza e sem subtextos.

É necessário educar as pessoas com senso crítico, ensinando a observar textos e matérias, para que se evite a disseminação de mentiras e opiniões disfarçadas de notícia.



Alessandra Pereira Silva

Richard de Oliveira Xavier


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