A subjetividade como fator humano e midiático


A necessidade de objetividade começa a ser denotada ainda no século XIX com a emergência das agências de notícias. Ganha mais proeminência por volta de 1930 nos EUA, adentrando para a consolidação do modelo empresarial de jornalismo. Porém, fica a questão: o Jornalismo objetivo é possível? Afinal, para que um acontecimento se torne notícia, ele deve passar por diversos procedimentos que geram uma transição do real para uma versão noticiada do real, por vezes levemente “transformada” em razão de conflitos de interesses.

Essencialmente, o ser humano é subjetivo, enviesado. Graças às diferentes experiências de vida, ambiente de crescimento, posicionamento político e posição socioeconômica dentro da sociedade, são diversas as formas de enxergarmos o mundo. Para além disso, quando inserido no mercado, o jornalista pode enfrentar questões de interesse dentro do ambiente de trabalho, com posicionamentos mais benéficos para a empresa, fortalecendo a subjetividade.

Segundo Kovach e Rosenstiel, “no conceito original, o método é objetivo, não o jornalismo”, ou seja, apenas em teoria existe a imparcialidade Afinal, o simples fato de escolher um fato a ser noticiado se trata de um ato coberto por parcialidade. Essa questão torna a objetividade, entendida não como a eliminação total de opiniões ou valores pessoais, mas sim como um método de verificação, algo cada vez mais distante aos jornalistas, visto que cabe ao leitor a verificação dos fatos por conta própria; a exemplo disso, pode-se citar o ato pró-anistia promovido pelo ex-presidente Bolsonaro. A manchete do Correio do Povo dizia “Bolsonaro lidera ato em defesa da anistia e com críticas ao supremo”; do Correio Braziliense, “Clima acirrado em ato pró-anistia”; do O Tempo, “Ao lado de aliados, Bolsonaro lidera defesa da anistia”, ocultando e manuseando a informação, evidenciando um claro subjetivismo e o desgaste da relação do público com as mídias tradicionais, visto que cada manchete acaba passando uma mensagem diferente, de acordo com o que se objetiva, e a audiência que cada veículo de comunicação deseja atingir.

O que se conclui é que não há, dentro do método jornalístico, uma verdade absoluta, e portanto, muito menos a parcialidade. Portanto, cabe ao público a análise dos fatos e o encontro do próprio ponto de vista a ser adotado; afinal, todas as notícias são cobertas por interesses que tornam possível ao leitor se identificar com a pauta em questão, demonstrando que o jornalismo não é nada mais do que um jogo de aparências.

Por Cléber Lucas e Guilherme Mendes. 

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