A imparcialidade parcial do jornalismo


Na sociedade, observa-se que o jornalismo não traz consigo a imparcialidade do fato. Analisando as matérias das grandes mídias, como O Globo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense, entre outros, as reportagens defendem uma ideologia mesmo que implicitamente, levando o leitor a ser tendencioso para determinados lados da história e mantendo a relação da imprensa com o Estado. Assim, o objetivo do jornalismo de educar e fazê-la entender a sua realidade é perdido a partir do momento que o comercial e o econômico sobressaem a necessidade de informar e a imprensa passa a induzir o consumidor e não incentiva-o a desenvolver seu próprio senso crítico.

De acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, “Nós criamos o mundo na medida que agimos sobre ele”. Sendo assim, a práxis, ou seja, a ação da mídia, corrobora para criação de uma realidade que não foca nos fatos e sim na manipulação dos mesmos, utilizando uma simulação da objetividade para criar uma narrativa que soa imparcial e leva o leitor a confiar na credibilidade do veículo, mas carrega uma ideologia nas entrelinhas.

A essência da história se perde, pois a mídia informa, mas não comunica. Colocando em segundo plano a contextualização e focando no fato, o motivo do ocorrido nunca é apresentado ao espectador, como notícias que focam na tragédia e não explicitam o que levou a aquilo, deixando-o à mercê dos problemas sociais que o envolvem. O linguista francês Patrick Charaudeau diz que “a manipulação permanece, de fato, o último recurso disponível para aqueles que são desprovidos de poder ou meios de pressão”, refletindo a necessidade de meios de comunicação mais atentos às problemáticas sociais que entendam a carência cognitiva de uma sociedade constantemente manipulada, já que o sistema só apresenta ao mundo aquilo que é conveniente para si.

Diante disso, será que podemos realmente confiar no que é apresentado pela mídia? Em um mundo onde a dominação dos meios de comunicação é tão controlada pelo mercado, nós somos vistos apenas como consumidores e não como cidadãos, sendo constantemente bombardeados por notícias que não nos apresentam dignamente o que nos afeta diretamente. O retardo da sociedade, ou seja, a falta de desenvolvimento crítico pela população, é alavancado e financiado por aqueles que são responsáveis teoricamente pela transparência e pela ética.

Por Ana Liz Taschetto e Ana Luiza Duarte
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