Em um cenário que se discute “subjetividade e objetividade” na informação jornalística, a objetividade é sobreposta pela subjetividade. Portanto, percebemos o cerne da consciência humana influenciando o julgamento o qual deveria ser racional e impessoal na profissão. Seja no jornal impresso, televisivo ou na rádio, as informações que recebemos contém sempre a interpretação do locutor, mesmo que indiretamente, sendo através das escolhas de palavras ou até mesmo a maneira como se dá relevância para certos aspectos específicos em determinada notícia.
Segundo Max Weber, a subjetividade é “um aspecto da conduta humana que se refere à forma como os indivíduos se constituem por meio de símbolos culturais”. Ou seja, existem “marcadores sociais” que influenciam nossa maneira de analisar os fatos, como classe social e gênero, por exemplo. Um jornalista, então, que trabalha em escala 6x1 tem uma visão sobre esta pauta, enquanto outro, bem remunerado, que vive o lado “bom” da escala, tende a vê-la como irrelevante, assim como um veículo apoiador da esquerda política e um apoiador da direita, irão retratar esse assunto de maneiras diferentes, apesar de se tratar do mesmo assunto. A matéria será tratada de maneira diferente a depender do profissional e do veículo de informação que a relate, determinado veículo vai dar mais credibilidade para alguns assuntos, enquanto o outro pode considerar esse mesmo assunto irrelevante.
Ainda na escala 6x1, ao pesquisarmos em diferentes veículos, foi possível observar a opinião do jornalista, pela manchete e a forma de abordar o assunto. Trouxemos como exemplo, então, essa pauta relatada em dois jornais diferentes. No UOL, temos como título de notícia “Economista: Fim da jornada 6X1 resultará na troca de pessoas por máquinas”, onde pode se observar que o autor da matéria acredita que a escala é maléfica, e que prejudicaria os trabalhadores ao invés de beneficiar. Enquanto o jornal Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, o título já mostra outra opinião “O Impacto da escala 6×1 na Saúde do Trabalhador no Brasil”, que fica como interpretação a ideia de que esse veículo é a favor da PEC. Dessa maneira, é evidente que diferentes jornais podem tratar a mesma notícia de maneiras diferentes, a depender do que for conveniente para o veículo e para o autor.
É importante ter em mente que ideologias estiveram presentes na origem do jornalismo, a exigência da objetividade surge na adaptação deste para a comercialização. Portanto, o jornalismo é naturalmente subjetivo, mas existe certa objetividade em pequenos detalhes, atuando como um princípio orientador, e não como verdade absoluta. As informações vão passar por esta elaboração, antes e durante a apresentação de fatos. Na questão da escala 6x1, a subjetividade obviamente traz diferentes angulações sobre a pauta. Retomando Weber, a objetividade não seria natural. Praticar o jornalismo é uma escolha, seja das palavras, da fonte, ou do enfoque da notícia, todas as nossas escolhas estão atreladas a forma como interpretamos e enxergamos o mundo.
Por Alice Franco e Marluany.
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