A contraposição entre objetividade e subjetividade é abordada de maneira recorrente em toda a história do jornalismo. Há uma tentativa de difundir entre os profissionais da área a crença na existência da imparcialidade. Enquanto uma gama de jornalistas defende que todo tipo de texto informativo é influenciado por questões sociais e pela cultura organizacional que o indivíduo se encontra, outros defendem que é possível abster suas vivências e ideologias em uma produção textual. Dessa forma podemos afirmar que, a construção de um texto informativo, a partir da determinação de uma autoria, é influenciado por uma conjuntura que dificulta o alcance da objetividade.
A divergência entre as opiniões diante do cenário em que vivemos é estabelecida através do posicionamento ideológico, o que torna a objetividade algo impossível de ser atingido. O autor Hilton Japiassu, em sua obra O Mito da Neutralidade Científica, analisa que a objetividade não existe, apenas conhecemos a realidade como a vemos e construímos o objetivo da nossa ciência. Diante disso, podemos analisar que em todo o contexto humano, é possível notar que a “fala” é medida por valores e achismos que são moldados pelos discursos da sociedade.
De acordo com o discípulo de Kant, Schopenhauer, “o mundo é minha representação”. A subjetividade está relacionada a esse contexto: os grupos nos quais estamos inseridos e as informações absorvidas moldam a nossa forma de contestar o mundo. Por exemplo: um indivíduo que está inserido em uma comunidade repleta de privilégios sociais tem, por tendência, opiniões que favorecem o meio em que ele está inserido, sem dar muita relevância para problemas que envolvem as classes mais baixas. Com base nesse contexto, ao presenciar um espaço onde são disseminadas narrativas sociais com determinados aspectos do que já se vivencia, é comum adotarmos as crenças e opiniões deste local.
A discussão acerca da existência da imparcialidade na informação jornalística é marcada por grandes divergências entre os profissionais da área. Entretanto, é necessário não deixar que apaguem o essencial ponto de partida da profissão que vai além da exposição dos assuntos que devem ser discutidos e ações a serem tomadas. Ser objetivo significa ser capaz de ignorar toda história que desenrola aquele fato, deixando a humanidade do jornalismo de lado, sendo esse o aspecto mais importante na execução do poder de remeter os fatos à sociedade de forma expositiva. A objetividade é inexistente, diante de toda vivência humana, tomamos partido da nossa própria verdade e justiça.
Por Letícia Rabelo e Manuella Oliveira
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