Esporte comunitário como esperança nas margens.

Por Isabela Franco, Karollayne Castro. 


Atletas na escolinha de futebol do projeto ASAS, em Santa Cruz de Minas
Foto/Reprodução: Isabela Franco 



O esporte não transforma apenas a saúde física, mas também a realidade de vida de muitos indivíduos, principalmente aqueles que residem em bairros periféricos com um grau maior de vulnerabilidade. O projeto ASAS em Santa Cruz de Minas, fundado em … por …, trás a ideia de desenvolver os alunos com o objetivo de gerar independência, ao ponto de eles não precisarem do projeto. Dessa forma, o ASAS, contém aulas de ballet; escolinha de futebol e aulas de costura para mulheres com vulnerabilidade financeira e sócio afetivo. Essas atividades são mantidas através do bazar feito pela assistência social da Igreja, doações , manutenção de materiais pela Missão Atos e patrocínio do Athletic Club. Atualmente no projeto, existe na faixa de 90 alunos contando com todas as atividades.


Aula de ballet com a professora Helena, do projeto ASAS. 

Foto/Reprodução: Isabela Franco


De acordo com o Instituto BH Futuro, o esporte é relevante na vida de um jovem periférico, pois traz

pois traz inclusão que transcende barreiras sociais, promovendo a integração e a coesão 


Mediante esse cenário, Jéter, responsável por um dos alunos do projeto ASAS, respondeu algumas perguntas a respeito do comportamento e da influência das oficinas na vida do seu filho.


I : O que motivou você a colocar seu filho(a) no projeto ASAS?

J: Fiquei sabendo do projeto através da Missão Atos, a gente escolheu vir justamente pelos projetos oferecidos à população para implementar não só o desenvolvimento da criança mas no dia a dia deles, no comportamento, em como tratar os outros, e nas responsabilidades não só em casa. Além de tirá-los de uma tela ou alguma convivência que não agregue e nem some na vida deles. É importante ele pertencer e estar em convívio com outras crianças”.

I: Quais mudanças mais te chamaram atenção no comportamento ou na rotina do seu filho(a) desde que ele(a) começou a participar?

J: Ele gosta muito de futebol então esse foi o incentivo pra ele começar. João lava o próprio prato, arruma a cama e já cria uma expectativa durante a semana, isso tem influenciado até mesmo o comportamento escolar. Houve mudança no comportamento já que ele era muito competitivo, e o projeto veio trabalhando com ele essa questão ensinando a respeitar o espaço do outro. Hoje ele entende que faz parte ganhar e perder, Contribuiu muito nessa parte da competitividade e responsabilidade.

I: Você sente que o projeto tem ajudado seu filho(a) a se afastar de situações de risco?

J: Sim, isso eu posso falar com certeza, quando ele vê alguma discussão seja em qualquer lugar, ele mesmo já se afasta e quando chega em casa já relata, que falou com o coleguinha para deixar para lá mas ele acabou insistindo devido a forma que é criado, e isso reflete a forma de como ele quer ajudar o próximo.

I:Você sente que a comunidade valoriza e apoia essa iniciativa?

J:De certa forma as pessoas conhecem sim, os espaços da igreja são bem aproveitados pela comunidade, só isso já é um ponto positivo. Esse projeto não apenas o futebol mas todas as atividades recreativas nessa área da igreja chama atenção da comunidade, e ela tem abraçado de certa forma com a preservação e em querer participar. A igreja oferece um espaço de lazer para comunidade não é todo lugar que tem isso, por exemplo na colônia onde eu moro não tem..

I:O projeto influenciou outros aspectos da vida do seu filho(a), como na escola ou em casa?

J: Sim na maneira de ouvir a gente e receber orientação, como lavar um copo; arrumar a cama e fazer o lanche.  Isso é um ponto muito positivo, pois não é fácil colocar essas coisas na cabeça de uma criança e o projeto tem ajudado.comunitária. Nesta perspectiva, a prática ao esporte faz com que surja uma alternativa diferente e positiva em relação a envolvimentos prejudiciais, proporcionando um canal construtivo para a energia e o tempo dos jovens. Além disso, o esporte pode abrir portas educacionais, com bolsas de estudo e acesso a instituições acadêmicas. Portanto, Jeter foi muito claro em suas palavras, no qual demonstrou gostar muito do projeto e como a  transformação na vida do seu filho é evidente, dentro e fora de casa. 


 Optar pelo esporte é  a melhor forma de alcançar as crianças da comunidade. Tirá-las  dessa zona de vulnerabilidade com os riscos que presenciam no bairro e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento pessoal, pois no projeto ASAS as crianças não têm apenas aulas de futebol, mas têm acesso a outros eventos que a Igreja Missão Atos constroi  e essa foi a principal ferramenta.

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