A informalidade no exercício das funções de trabalho tem aumentado cada vez mais, de acordo com as últimas pesquisas do IPEA, em 2022, mais de 40 milhões de pessoas trabalhavam em situação de informalidade no Brasil, representando 42,1% da população ocupada.
Buscando uma maior compreensão do cenário do trabalho informal na cidade de São João del-Rei, foram ouvidas duas fontes diferentes, sendo a primeira Pedro Oliveira, conhecido popularmente como Pedrinho do Corte, barbeiro de 23 anos com mais de 9 anos de profissão, nascido em São João del-Rei e trabalhador da cidade de Ritápolis. A segunda foi Cleyton da Silva, conhecido popularmente como Barbudo do Corte, 26 anos, nascido em São João del-Rei, sendo até hoje trabalhador da cidade.
Houve uma certa divergência de opiniões na parte da segurança sobre a forma de trabalho praticada, já que Pedro Oliveira se sente totalmente seguro e dono de seu futuro, enquanto Cleyton da Silva diz que tinha maior segurança quando trabalhava fichado.
Ao serem indagados sobre os efeitos da Covid-19, também houve uma polarização de opiniões. A pandemia afetou somente o negócio de Pedro, que já trabalhava na área e notou uma queda em sua clientela, pois o outro entrevistado, na época, era açougueiro, que por outra função sofreu de outros efeitos.
A irregularidade com o estado se fez presente para os dois entrevistados, que concordaram que o tamanho inicial do empreendimento não gerava renda suficiente para pagar os impostos corretamente depois de pagar as despesas.
Há quanto tempo você trabalha por conta própria?
Pedro: Trabalho por conta própria há 5 anos e meio.
Clayton: Eu trabalhava em outro serviço também, então aqui nesse lugar que eu estou, faz um ano. Então, assim, antes eu conciliava um serviço e o outro.
Você se sente dono do seu negócio?
Pedro: Sim, eu me sinto.
Desde que você trabalha por conta própria, sua renda aumentou ou caiu?
Pedro: Sempre aumentou, às vezes, mantém, mas, no geral, sempre aumentou.
Você tem tempo para você? Para os afazeres diários, tempo com a família, lazer etc.?
Pedro: Sim, tenho tempo pra mim, tenho meu tempo de divertir, comer tranquilo, sair pra passear etc.
Qual foi a última vez que você dormiu bem?
Pedro: Ontem, 26/04/2025.
Vale a pena se regularizar com o Estado, pagar imposto etc.?
Pedro: Sim e não. Sim porque você se mantém totalmente regularizado com o Estado. Por outro lado, os impostos sempre são muito altos.
O MEI é um caminho viável?
Pedro: Sim, pra um microempreendedor é viável sim, um imposto fácil de ser entendido.
Você já trabalhava na área quando houve a pandemia da Covid-19?
Pedro: Sim, trabalhei durante a pandemia.
Como a pandemia afetou seu serviço?
Pedro: Meu serviço é diretamente em contato com o cliente, então com isso, deixei de atender muitas pessoas que tinham medo do vírus. Com isso, perdi vários clientes e o faturamento consequentemente abaixou muito, chegando a ter certas preocupações em relação ao faturamento.
Já se acidentou e ficou sem trabalhar?
Pedro: Não, nunca me acidentei.
Você se sente financeiramente seguro?
Pedro: Sim, me sinto seguro, mas sempre buscando melhorar mais e mais.
Há quanto tempo você trabalha por conta própria?
Clayton: Eu trabalhava em outro serviço também, então aqui nesse lugar que eu estou, faz um ano. Então, assim, antes eu conciliava um serviço e o outro.
Você se sente dono do seu negócio?
Clayton: Sim.
Desde que você trabalha por conta própria, sua renda aumentou ou caiu?
Clayton: Assim, por eu estar há um ano nessa área, não é ruim não. Melhorou, melhorou. Já tenho alguns clientes bem fixos. A tendência é melhorar cada dia mais.
Você tem tempo para você? Para os afazeres diários, tempo com a família, lazer etc?
Clayton: O que vale agora é o tempo pra gente. Eu consigo conciliar o tempo. Posso trabalhar até mais tarde ou mais cedo. Às vezes ,acabo trabalhando mais e, se precisar de folga, eu aviso aos clientes.
Qual foi a última vez que você dormiu bem?
Clayton: Rapaz, na primeira semana que eu comecei aqui, eu já senti uma grande mudança. Já me senti mais aliviado.
Vale a pena se regularizar com o Estado, pagar imposto etc?
Clayton: A gente tem que se organizar, né? Tem que fazer as coisas certinhas. Senão, a gente não consegue dormir direito. Infelizmente, tem que pagar imposto. No começo, a pessoa não consegue legalizar, mas assim que pode, tem que fazer.
O MEI é um caminho viável?
Clayton: Eu ainda não tenho MEI.
Entrevistador: Você pretende abrir?
Clayton: Sim, pretendo abrir.
Você já trabalhava na área quando houve a pandemia da Covid-19?
Clayton: Não, eu estava em outra área. Trabalhei com açougue.
Como a pandemia afetou seu serviço?
Clayton: Não afetou diretamente, mas eu tive que parar por um tempo.
Já se acidentou e ficou sem trabalhar?
Clayton: Sim, teve uma vez que fiquei umas duas semanas sem trabalhar. Eu trabalhava no açougue.
Você se sente financeiramente seguro?
Clayton: Quando eu trabalhava registrado, sim, era mais seguro. Agora, como autônomo, quem trabalha sou eu, e a gente sabe que no começo não tem muita garantia.
Luis Philipe Resende e Paulo Mambelli Fernandes