São João del-Rei segue em alerta contra a dengue

Mesmo fora da campanha nacional de vacinação, a Gerente de Vigilância Epidemiológica reforça importância da prevenção e explica por que a cidade ainda não recebeu vacinas contra a doença

Por: Gabrielli Caldeira, Rafaela Tarsitani Reis e Rafaela Nery. 


São João del-Rei atinge 500 casos suspeitos de dengue de janeiro a maio. Sem vacina para a doença, os moradores vivem um cotidiano de infestação do mosquito Aedes Aegypti. 


Mosquito causador da dengue. Foto/Reprodução: Agência Brasil

Apesar do número expressivo, a gerente da Vigilância Epidemiológica do município, Katiucia Carolina Canaã, afirma que a cidade não se encontra em situação de emergência ou surto, mas que o cenário exige atenção e vigilância constante. “Estamos atentos, realizando bloqueios nos locais com casos confirmados e reforçando as ações preventivas”, explica.


A cidade ainda não foi contemplada com a vacina contra a dengue distribuída pelo Ministério da Saúde, pois a localidade não atende aos critérios estabelecidos para receber o imunizante: registros elevados de casos graves em 2023 e 2024, população acima de 100 mil habitantes e predominância do sorotipo 2 do vírus. “A vacina está sendo comprada do Japão, do laboratório Takeda, e ainda não há doses suficientes para todo o país. Por isso, os critérios foram definidos para priorizar os locais mais atingidos", informa Katiucia.


Enquanto a vacina não chega, o combate ao mosquito Aedes Aegypti segue sendo a principal estratégia. Referência técnica do Setor de Endemias, Ebert Jaques de Matos, descreve as medidas adotadas pela prefeitura: as ações permanentes de educação em saúde, visitas domiciliares, monitoramento de criadouros e bloqueios de transmissão realizados em São João del-Rei. Esse último consiste na aplicação de inseticida em regiões onde um caso suspeito é notificado, atingindo mosquitos adultos e evitando a propagação local do vírus.


Os moradores convivem com três dos quatro sorotipos da doença. O técnico afirma que, apesar de grande parte da população já ter contraído a doença, as pessoas ainda podem ser contaminadas pelos outros sorotipos. Ebert alerta sobre a importância da vacina no combate da dengue. “Hoje a gente tem sorotipo 1, 2 e 3. A população adquiriu o sorotipo 1, criou a imunidade, mas no outro ano introduziu um novo sorotipo, deixando todo mundo suscetível novamente”, diz.


“É necessário vacinar todo ano”, orienta Ebert. 


Em média, a cada semana, são notificados 30 a 40 casos de dengue no município e no último mês teve em média 140 notificações. Os bairros mais infestados e com o maior número de notificações pela dengue são Vila Santa Terezinha e o Centro. Ebert afirma que o município como um todo está infestado com o mosquito Aedes Aegypti. “O cenário ainda é de alerta, sempre vai ser de alerta devido ao fato de São João del-Rei ser uma cidade infestada. Isso é difícil de reverter, a gente nunca vai poder falar que acabou a dengue na cidade. O Aedes já se tornou parte do município.” 


“É doloroso, é bem ruim os sintomas” relata a estudante Ana Júlia Barbosa sobre sua experiência com a doença. A entrevistada conta que um dos principais sintomas sentido foi a intensa dor no corpo, além de manchas pelo corpo. Em seu processo de recuperação, Ana Júlia relata que tomou remédios específicos recomendados pelo atendimento clínico, como relaxantes musculares para as fortes dores, ingeriu bastante água e se alimentou de forma saudável, contribuindo para a sua melhora. 


Ana Júlia diz que, antes de contrair a dengue, não via muita divulgação ou campanhas sobre o mosquito. “Acho que as pessoas sabem do assunto, mas, quando acontece, não estão preparadas.”, afirma. A estudante acrescenta que falta uma fiscalização maior dos focos do mosquito e das instruções do cuidado com a doença.


“Mudar a mentalidade da população é muito difícil, é um trabalho social, político e cultural, para a gente não perder a guerra, igual a gente tem perdido de anos anteriores.” Elbert reforça que se todo mundo não tiver consciência e trabalhar em prol disso, a dengue continuará presente em São João del-Rei.


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